Trump Choca o Mundo ao Apontar Moçambique como "Desperdício" da Ajuda dos EUA
Corte Bilionário na Ajuda Humanitária Gera Revolta e Polêmica Internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou indignação global ao listar Moçambique entre os países africanos onde considera que a ajuda norte-americana tem sido "um desperdício". A declaração bombástica foi feita na última quarta-feira (05), durante seu primeiro discurso ao Congresso desde o início do segundo mandato.
Além de Moçambique, Trump citou Lesotho, Libéria e Uganda como exemplos de mau uso dos recursos dos contribuintes norte-americanos. No caso do Lesotho, a crítica foi ainda mais dura: Trump ironizou o pequeno país da África Austral, chamando-o de “nação desconhecida” e questionando o investimento de milhões de dólares em projetos de direitos da comunidade LGBT.
"Ninguém jamais ouviu falar deste país, mas ele recebe oito milhões de dólares para promover os direitos LGBT", disparou Trump, gerando reações imediatas.
O governo do Lesotho não demorou a responder. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Lejone Mpotjoane, afirmou à BBC que ficou "surpreso" com a declaração do líder norte-americano e rebateu: "Para minha surpresa, o tal país de que ninguém já ouviu falar é onde os Estados Unidos mantêm uma missão permanente."
Trump Quer Desmantelar Agência de Ajuda Humanitária
No pronunciamento, Trump justificou a decisão de cortar bilhões de dólares da ajuda internacional, incluindo a ordem executiva para o desmantelamento da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). A medida, segundo ele, busca eliminar desperdícios e priorizar investimentos dentro dos EUA.
A decisão já foi condenada por organizações internacionais. A ONU alertou que a suspensão do apoio humanitário terá efeitos devastadores, com aumento da fome, mortes e doenças nos países afetados.
Escândalo Envolvendo Moçambique e a Confusão com Gaza
Essa não é a primeira vez que Moçambique se vê envolvido na polêmica sobre o corte da ajuda internacional. Em janeiro, um novo escândalo estourou quando Elon Musk, bilionário sul-africano e chefe do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (Doge), revelou que a USAID teria gasto 50 milhões de dólares na compra de preservativos para a prevenção do HIV/SIDA na província de Gaza, sul de Moçambique.
O problema? Inicialmente, Musk afirmou que os fundos teriam sido enviados para Gaza, na Palestina – uma confusão que gerou repercussão global, dado que o território palestino é governado pelo Hamas, grupo islamita contrário a políticas públicas de saúde reprodutiva.
Após perceber o erro, Musk corrigiu a declaração, esclarecendo que se referia à província moçambicana de Gaza, e não ao território palestino.
Até o momento, nem a USAID nem o governo de Moçambique comentaram o caso, mas as autoridades locais negaram veementemente que a província tenha recebido tais fundos.
A crise provocada pelo corte da ajuda humanitária segue crescendo, e a postura de Trump promete acirrar ainda mais os ânimos entre Washington e os países africanos.
